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  • Daniele Amorim

O novo livro de cabeceira dos Moteleiros


Por Daniele Amorim

Vinicius Roveda está sempre ocupado. Antes de conceder uma entrevista para a revista Moteleiro, ele atendeu quatro empresários do setor pelo telefone. E seu planejamento original também conciliava uma visita a mais um motel da cidade de São Paulo.


Segundo suas contas, desde que decidiu viajar Brasil afora para entender o segmento e expandir seu trabalho como consultor, foram mais de 400 negócios visitados.


Mas antes mesmo de se tornar um especialista no setor, Roveda começou de baixo. Em 1992, aos 12 anos de idade, tornou-se funcionário operacional do motel da família em Santa Maria (RS). Da lavanderia aos quartos, o futuro empresário conheceu a rotina moteleira em seus detalhes e foi dessa experiência que decidiu, anos mais tarde, largar a advocacia para, junto com sua irmã, Raquel Roveda, tocar o negócio familiar. “A princípio, eu seguiria uma carreira jurídica, minha irmã iria para a área hoteleira e o motel seria vendido.


Então fiz um acordo familiar em que eu a trazia para Santa Maria e nós administraríamos o motel”, relembra.


A empreitada deu certo. Logo após assumir a administração do Bangalô Motel, o número de estadas cresceu por conta de uma sacada: o redirecionamento de público. O case foi notado por moteleiros de outras partes do Brasil, que começaram a ver nele e em sua equipe uma luz no final do túnel para uma gestão de sucesso.


O moteleiro lança seu primeiro livro, Como os Motéis se Tornaram um Negócio Bilionário no Brasil (Editora Zeax, 2019). Em 140 páginas, o empresário relembra sua trajetória e explica que, mesmo empreendendo em um setor com empresas e empresários passando por dificuldades, é possível ser bem-sucedido Confira a entrevista na íntegra.


Como você entrou no setor moteleiro?

Comecei a trabalhar em 1994. Meu pai fundou o Bangalô Motel em 1979, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Fez muito sucesso e eu trabalhava com ele. Mas meu pai não dispunha nem tinha interesse ou dinheiro para colocar no motel. Então comecei a trabalhar no operacional, ficando 10 anos nisso. Também consegui fazer faculdade de direito e me formei. Cheguei a advogar, mas era uma coisa que não dava muito tesão. Em 2006, minha irmã se formou em turismo e hotelaria em Santa Catarina e trabalhou em algumas redes de hotéis. Então fiz um acordo familiar em que eu a trazia para Santa Maria e nós administraríamos o motel. Deu muito certo: começamos a mudar o foco do motel e direcionar para casais em relacionamentos estáveis. A aceitação foi muito grande e o motel aumentou o faturamento em cinco vezes. Com isso, vimos uma carência no setor e que esse modelo de negócio poderia ser levado para outros lugares.


Como foi seu processo de produção do livro?

Passei a pesquisar muito sobre motéis. Começamos a montar uma biblioteca com os principais livros que falam dos love hotels japoneses, obras americanas e artigos. E visito uns 10 motéis toda a semana. Além disso, minha formação jurídica ajuda nos contratos e negociações, e fiz uma pós-graduação em marketing, em 2012. Mas grande parte do conhecimento que trago vem de casos reais e experiências que realmente vivi na prática. Dando exemplos de motéis bem-sucedidos e que aprenderam com os próprios erros, iniciei a produção do livro no início do ano e terminei na metade de maio.


Conforme visto no levantamento da Zeax Consultoria e publicado na última edição da revista Moteleiro, alguns motéis estão fechando. Então por que fazer um livro sobre tornar um negócio bilionário um setor que está perdendo empreendimentos?

Essa é a grande questão. Enquanto falamos de motéis que estão fechando, tem muita gente crescendo. Tenho inúmeros exemplos, pois a Zeax tem crescido na consultoria. Esses números estão totalmente fora de um mercado que está fechando. Há muitas oportunidades no País. E vemos uma diferença gritante em algumas cidades, que vão mudando seu perfil porque a grande parte ainda não se atualizou. E o livro é para mostrar isso: o tamanho do mercado. Não é mais uma tendência — os motéis não serão mais focados em casais, pois eles já são. Quem não faz isso está indo contra.


O objetivo do livro é melhorar o setor?

Exatamente. Desde quando fundamos a Zeax, eu e a Raquel temos a missão de profissionalizar o setor de motéis e melhorar a qualidade de vida para os casais. E isso é realmente o que vem acontecendo na prática e nas cidades onde atuamos. Acredito que uma andorinha não faz verão. Por isso, se compararmos o setor de como está hoje para 10 anos atrás, não tínhamos a ABMotéis nem a força do Guia de Motéis. Quando o cliente vai a um motel ruim, ele pensa que o mercado é ruim. Inclusive, tem uma parte do livro que fala sobre a nova visão da concorrência e traz esse ponto: em vez de trazer problema e falar do concorrente, o empresário tem que olhar para dentro de seu próprio motel e pensar que, se o concorrente estiver melhor, todo o mercado vai melhorar.


O Guia de Motéis faz 20 anos em 2019. O que era necessário para ser bem-sucedido em 1999 significa ser bem-sucedido agora?

Não. Há 20 anos, não havia essa ideia de público-alvo. A visão sobre o mercado de motéis era aquela antiga do lugar aonde só ia amante e estivesse fadado a terminar. Nenhum motel tinha esse novo formato e foco. Quem começou foi o Zé Carlos, que abriu o Dragon no nordeste em 2003, e o pessoal de São Paulo com o Lumini. Mas foi há oito anos para cá, que mudou o relacionamento com o cliente. Tem uma parte do livro que fala sobre a importância das redes sociais, plataformas gratuitas e reservas on-line, que mudaram essa dinâmica.


Você vem notando que os moteleiros estão no impasse atualizar ou fechar? O livro acompanha essa linha de raciocínio?

Com certeza. Falo várias vezes disso. O caminho é: se não se atualizar, vai acabar. Para esses que não se atualizam sim, a visão deles é que há uma decadência do setor. É impressionante. Nas consultorias, o primeiro trabalho que faço é mudar a mentalidade do moteleiro. Devo mostrar com números que o setor mudou. Sobre o case do Bangalô, as pessoas não acreditam, mas, desde 2005, não tem um ano com queda. Isso mesmo com a abertura de novos motéis na região e uma obra de duplicação na rodovia em frente ao motel.


O livro vem para sanar essa urgência?

O livro é para ficar. É para os moteleiros e também para as universidades. Temos uma grande demanda de universitários que entram na arquitetura, hotelaria, motelaria e também querem ler artigo sobre motéis. Existe uma defasagem. Ele fala do mercado. Há também uma categorização que usamos para diferenciar o segmento, dar um norte e mostrar o que é esse mercado no Brasil. É um registro histórico.


Por que o livro tem esse título?

Imaginei que fosse algo que as pessoas iriam pensar. Mas é basicamente é um título que vai chamar atenção e causar certo choque. É algo para instigar as pessoas. E mesmo se olharmos friamente para o conteúdo do livro, não é baseado em números do mercado bilionário, mas sim, em chamar a atenção e tirar a pessoa da zona de conforto. Esse é o objetivo. Fazer com que os holofotes virem para o mercado de motéis e que as pessoas passem a ver o motel como um negócio e não como algo proibido.


Para finalizar, o que é necessário para ter um motel de sucesso?

Foco em casais com relacionamento estável e choque de gestão. Separar as despesas pessoais das despesas do motel, cuidar dos números e dos indicadores, fazer uma gestão de pessoas que motive os colaboradores e um marketing eficiente. Gestão também é estar antenado: é acompanhar o que ocorre no setor, ir às palestras e dedicar pelo menos um dia por ano para andar e visitar motéis. Acredite, mesmo na atual crise econômica do país, tem moteleiros expandindo e crescendo.



Esse artigo foi originalmente publicado como reportagem de Capa da Ed. 85 da Revista O Moteleiro de Set/2019. Disponível em: https://www.moteleiro.com.br/2019/o-novo-livro-de-cabeceira-dos-moteleiros/​


O livro está disponível para compra em formato digital e físico. Para comprar, basta acessar o site da Amazon no link: Comprar Livro sobre os Motéis

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